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Chlamydia Trachomatis

 

 

 

 

 

 

Atualizado em 26/01/2004  

Atualmente essas doenças sexualmente transmissíveis são um dos principais problemas de saúde pública, principalmente a infecção pela Clamídia, devido à sua crescente incidência. Além disso, a infecção simultânea por esses agentes ocorre em 50% das mulheres e em 30% dos homens.

Chlamydia trachomatis

É a DST bacteriana mais freqüente nos dias atuais. Estima-se que ocorram 50 milhões de novos casos anualmente.  Pode estar presente em qualquer idade, porém sua maior prevalência é verificada em adolescentes, atingindo cifras que geralmente excedem a 10%. Nessa faixa etária as mulheres apresentam cerca de duas vezes mais infecção do que o homem. Na menopausa e durante a gestação sua incidência também é alta, o que pode trazer, neste último caso, conseqüências para a evolução da gravidez e para o recém-nascido. Refere-se que 65% dos nascidos por parto vaginal de mães infectadas venham a desenvolver doença - conjuntivite e pneumonia, entre outras.

Existem 15 sorotipos dessa bactéria. A tabela abaixo mostra a relação entre os sorotipos, o sexo acometido e as doenças causadas:

Sorotipos

Sexo

Síndrome

A, B, Ba, C

Ambos

Tracoma, conjuntivite

 

D, E, F, G,
H, I, J, K

Mulher

Uretrite, cervicite, endometrite,
salpingite, doença inflamatória pélvica.

Homem

Uretrite, prostatite, epididimite.

Ambos
Recém-nascidos

Conjuntivite, proctite, síndrome de Reiter, pneumonia

 

L1, L2, L3

Ambos

Linfogranuloma venéreo

Apesar do maior impacto da doença ocorrer no trato genital feminino o homem também é infectado. Essa infecção está associada a uma série de diferentes doenças como a uretrite, a cervicite, a salpingite, a doença inflamatória pélvica e a gravidez ectópica. É provavelmente a causa mais freqüente de esterilidade nas mulheres.

Nestas, o sítio inicial da infecção é o canal cervical, mas a uretra e o reto também podem ser acometidos. O corrimento vaginal e a disúria são os sintomas mais comumente referidos. A sinusorragia também pode estar presente. Por sua vez, a dor no baixo ventre está associada a provável existência de doença inflamatória pélvica. A cervicite mucopurulenta e a friabilidade do colo são observadas em grande número de casos. Cultura da secreção endocervical negativa com mais de 10 polimorfonucleares por campo sugere a infecção.


No homem a uretra é o órgão mais comumente afetado, sendo responsável por 30 a 50% das uretrites não-gonocócicas. A epididimite também pode ser verificada. Os sintomas de tenesmo, diarréia e sangramento retal podem estar associados a proctite.

Todavia, o maior problema clínico nessa infecção é a doença assintomática, o que impede o controle da moléstia. Nas mulheres, isso ocorrer entre 70 a 80% das vezes. Da mesma forma, 50% dos homens também não apresentam qualquer sintomatologia. Isso propicia a existência de grande e desconhecido reservatório com possibilidade de transmissão para os parceiros sexuais. Além disso, a imunidade após a infecção é tipo-específica e parcialmente protetora.

Por essas razões, diversos trabalhos apontam para a necessidade do rastreamento, principalmente entre os adolescentes de baixo risco para a infecção. Além disso, mostram que o rastreamento da Clamídia e do Gonococos em mulheres adolescentes assintomáticas reduz em 60% as complicações no trato genital superior.

Neisseria gonorrhoeae

A gonorréia é a doença notificada mais comum nos Estados Unidos, com cerca de um milhão de casos anualmente. A infecção envolve principalmente as mucosas do trato urogenital, acarretando, freqüentemente, uretrite no homem e endocervicite e uretrite em mulheres.

Seu controle também é dificultado pela prevalência da infecção assintomática. Aproximadamente 50% das mulheres e pelo menos 10% dos homens não apresentam quaisquer sintomas e, por isso, não procuram assistência médica.

Na mulher, essa bactéria atinge rapidamente o trato genital inferior provocando, em até 20% das vezes, doença inflamatória pélvica crônica, gravidez ectópica e a infertilidade.

Outros sítios da infecção primária são a faringe e as conjuntivas. Na pré-puberdade, a vulvovaginite é freqüente.

Diagnóstico Laboratorial

            As diferentes metodologias diagnósticas existentes para essas infecções amiúde confundem o clínico. De maneira geral, o que se necessita, no dia-a-dia, é de metodologia sensível que possa diagnosticar com exatidão a doença clínica e subclínica. Da mesma forma, um exame que seja factível para o rastreamento da população de baixa prevalência.

Dentre os mais comuns usados na prática diária pode-se citar:

Cultura

Para a Clamídia, ela é realizada em meios específicos, ricos em células vivas do tipo Mc Coy ou HeLa. A identificação, no passado, utilizava a coloração pelo Gram, Giemsa ou iodo, mas o uso da imunofluorescência mostrou maior sensibilidade e especificidade.

A pesquisa da infecção gonocócica implica no seu isolamento em cultura e posterior identificação morfológica, pela presença de diplococos Gram-negativos.

Pela fragilidade dessas bactérias, as amostras clínicas devem ser semeadas prontamente, pois elas sofrem rápida autólise. Além disso, são suscetíveis às variações de temperatura, necessitando portanto, de uso apropriado de meios de transporte e de profissionais altamente treinados. Vale ressaltar que o resultado negativo não exclui a presença de infecção.

Teste de Imunofluorescência

Este teste geralmente utiliza anticorpo poli ou monoclonal que reage diretamente contra antígeno gene-específico. O conjugado forma complexo estável. O anticorpo não ligado é removido por lavagem e o preparado final é observado ao microscópio. Por necessitar da microscopia de fluorescência, o resultado é subjetivo, ficando a acurácia dependente da experiência do examinador.

Testes Biomoleculares

A introdução dos testes biomoleculares trouxe grande avanço no diagnóstico. Existem diversas metodologias, mas de maneira geral, baseiam-se na amplificação e detecção do DNA dessas bactérias. Dado a alta sensibilidade e especificidade, oferecem a possibilidade de se coletar amostras não-invasivas, por exemplo, urina.

Essas técnicas são distintas quer na sua realização laboratorial, como também, no tipo de amplificação que efetuam.

A tabela abaixo mostra as diferenças entre as técnicas para o diagnóstico da Clamídia.

Método

Sensibilidade
(%)

Especificidade

(%)

Nº Mínimo
de
Patógenos

Viável
para
Rastreamento

Utilidade em
população de Baixa
Prevalência

 

Cultura

65-88

95-100

101-102

Não

Não

IE

75-80

98

103-105

Sim

Não

IMF

70-90

> 95

101-103

Não

Não

Biomolecular

80-100

95-100

1-101

Sim

Sim

 

 

 

 

 

 

 

 

Como pode ser visto, os métodos biomoleculares são os mais sensíveis e específicos devendo ser considerados como de eleição para o diagnóstico de certeza dessas infecções.

No que respeita a esses exames, como a ocorrência de infecção simultânea por Clamídia e por Gonococos não é incomum, deve-se escolher um método que use sonda dupla, permitindo que os dois agentes possam ser pesquisados em uma única amostra e com um só teste.

A tabela abaixo mostra a correlação entre os métodos biomoleculares e determinados parâmetros analíticos:

Método

   

Sonda

Amplificação

Possibilidade de Contaminação

Possibilidade de Inibição

Controle Interno de Inibição

 

PCR

Cripytc Plasmid

DNA

Sim

Sim

Sim

LCR

Cripytc Plasmid

DNA

Sim

Sim

Não

Captura Híbrida

Cripytc Plasmid
DNA Bacteriano

Sinal

Não

Não

Não Necessita

 

Por essas razões, dentre os métodos biomoleculares disponíveis para essas bactérias,  o Sistema Captura Híbrida é o mais indicado.

Assim, quando solicitar testes para Clamídia e Gonococos é importante que na sua requisição conste o nome dessa técnica biomolecular.

Algumas vantagens clínicas e laboratoriais da Captura Híbrida devem ser assinaladas:

   Precisão: não apresenta resultado falso-negativo pela presença de enzimas proteolíticas do colo uterino e de outras substâncias inibidoras.

   Segurança: não apresenta resultado falso-positivo por contaminação na coleta ou ainda na manipulação laboratorial da amostra.

   Praticidade: permite o diagnóstico em material cervical, uretral e na urina, o que torna a coleta do exame mais fácil e menos incômoda para o paciente.

   Sensibilidade: 1.0 pg/ml. Para a Clamídia, as sondas RNA detectam os 15 sorotipos.

   Tecnologia: Oferece múltiplas opções de espécimes para o rastreamento e identificação da Clamídia ou do Gonococos, tanto em mulheres como em homens, melhorando a acurácia diagnóstica dessas DST.

   Flexibilidade: Com uma única amostra pode-se fazer o rastreamento para a Clamídia, o Gonococos e o HPV, evitando-se, assim, o retorno da paciente para uma segunda coleta.

   Resultados: Pode ser conhecido em pouco tempo, o que agiliza a conduta terapêutica. É eficaz, tanto para o diagnóstico primário como para a avaliação pós-tratamento.

Coleta da Amostra

Pode ser feita no consultório ou no laboratório. De forma geral, toda a secreção purulenta deve ser removida antes da coleta. Caso contrário, a quantidade de células obtidas pode ser insuficiente para a realização do teste.  A urina deve ser coletada no próprio laboratório e o paciente orientado a permanecer pelo menos uma hora sem urinar. O espécime cervical e uretral é viável por até 15 dias à temperatura ambiente.

Importante: O teste de Captura Híbrida só pode ser colhido nos kits COLETORES da Digene.

 

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Fonte: Digene Brasil

www.digene.com.br